Atletiba: Pleno mantém pena aos clubes



O Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol negou provimento aos recursos do Athletico/PR e Coritiba por infrações ocorridas no Campeonato Paranaense. Punidos no TJD/PR com multa de R$ 25 mil e perda de um mando de campo, os clubes tiveram as penas mantidas em última instância nacional. O processo foi julgado nesta quarta, dia 18 de maio, em sessão itinerante realizada no Jurisports Brasília.

Pela oitava rodada do Campeonato Estadual, Coritiba e Athletico se enfrentaram no Couto Pereira. Aos 20 minutos do primeiro tempo houve paralisação da partida por confusão entre torcedores e arremesso de objetos. Houve a necessidade de intervenção da PM, além do uso de bombas.

Denunciados por infração ao artigo 213 do CBJD, a Comissão do JD/PR puniu e o Pleno local consolidou as penas em R$ 25 mil e perda de um mando de campo para cada clube.

Athletico e Coritiba recorreram ao Pleno do STJD do Futebol.

Em grau de recurso o Athletico/PR juntou memorial no processo e não enviou advogado para Brasília.

O advogado Osvaldo Sestário defendeu o Coritiba –

“Não há recurso da Procuradoria local e o Coritiba foi apenado apenas pela confusão no estádio. Pelos objetos arremessados o Coritiba foi absolvido. O clube tomou uma multa no Pleno de R$ 25 mil mais a perda de um mando de campo.  Quem faz a segurança e determina o que será feito na partida é a Polícia Militar. Havia um tapume e uma grade e a torcida do Athletico começa a bater para arrebentar o tapume. Com menos de um minuto a polícia chega e faz o esvaziamento dos torcedores. Talvez se esses seis policiais já estivessem ali na divisória nada teria acontecido. Não vemos uma ação ofensiva do Coritiba e o clube acha injusta a punição. Não foi sua torcida que iniciou a confusão e o que o clube busca é a justiça. A defesa vem requerer que essa multa do Coritiba seja reduzida, uma vez que tomou todas as medidas cabíveis. O Coritiba preveniu, a PM agiu e dispersou a confusão. A defesa pede a redução da pena e vem pedir a absolvição em relação a perda de mando de campo”, concluiu.

Procurador-geral da Justiça Desportiva, Ronaldo Piacente, sustentou a manutenção das penas.

“Ao Coritiba me parece que a pena de R$ 25 mil está bem aplicada e a dosimetria está dentro do que o tribunal vem aplicando. Em relação ao Athletico, o clube teve a punição pelo arremesso de objetos na direção da comissão técnica, além da briga. A Procuradoria também pede a manutenção entendendo estar bem aplicada. A perda de mando de campo, a Procuradoria entende que de portões fechados não faz sentido realizar a uma distância de 100km. Que seja aplicada com portões fechados, podendo jogar no próprio estádio”, pediu.

Vice-presidente do STJD do Futebol e relator do processo, o auditor José Perdiz votou para negar provimento ao recurso de ambos os clubes.

“As imagens por si só já demonstram a gravidade dos fatos. Clássico com os nervos aflorados e infelizmente de uma maneira que não desportiva. Estamos aqui para analisar apenas a dosimetria da pena. Entendo aqui que o mando de campo tem que ser cumprido com portões fechados para atingir o caráter pedagógico da pena. Propondo a manutenção do acórdão do TJD/PR para R$ 25 mil e a perda de um mando com portões fechados para cada clube”, explicou.

Os auditores Felipe Bevilacqua, Luiz Felipe Bulus, Mauricio Neves Fonseca, Fernando Cabral Filho e o presidente Otávio Noronha acompanharam o relator na íntegra.

O Auditor Sérgio Leal Martinez divergiu dos companheiros.

“Não vi fatos graves por parte do Coritiba. Voto para reduzir para R$ 10 mil sem a perda de mando ao Coritiba, mantendo a pena do Athletico/PR”, justificou.

O auditor Jorge Ivo Amaral abriu nova divergência para reduzir a multa do Coritiba para R$ 20 mil.